quarta-feira, 8 de julho de 2015

Resposta (ou complemento?) ao desafio.


Escreveu Nhô Danilo:


Não possuir lembrança é próprio do nascituro.
O choro mostrado ao mundo logo ao nascer,
Os gritos da mãe pela dor de conceber,
O óvulo, o esperma, a placenta e o túnel escuro

Onde comprimido deslizou para ver
A luz e respirar um ar que não é puro.
Movimento brusco ao sentir-se inseguro
Nessa novidade que é descobrir-se ser,

Traz nos pensamentos fugazes e voláteis
Toda a química das análises reflexas.
E o desconhecido, com suas unhas retráteis,

Rasga impressões aparentemente conexas,
Pulsantes, analógicas, versáteis,
Desde o primeiro instante tornando-as
                                                     complexas



E eu cá, respondo:

Mas se lembrar de quê, se só há futuro?
As públicas lágrimas sem poder conter
Ainda novo o ouvido a esterrecer
Do invólucro a sair, buscando o furo

Antes ficasse lá e não nascer
sem luz, sem ar, mas em lugar seguro
ficar na mansidão, não estar maduro
um só ficar com a mãe, não vir a ser

Jaz a placenta, a paz e os tempos fáceis
Deu-se a alquímica fase, a mãe perplexa
Eu já nascido, enfuno, enganos dóceis

Vagas visões, a mente desconexa
Vibrante busca lógica nas faces
dos que ao ver já cobram toda a pressa.    

Weverton.

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