Escreveu Nhô Danilo:
Não possuir lembrança é próprio do nascituro.
O choro mostrado ao mundo logo ao nascer,
Os gritos da mãe pela dor de conceber,
O óvulo, o esperma, a placenta e o túnel escuro
Onde comprimido deslizou para ver
A luz e respirar um ar que não é puro.
Movimento brusco ao sentir-se inseguro
Nessa novidade que é descobrir-se ser,
Traz nos pensamentos fugazes e voláteis
Toda a química das análises reflexas.
E o desconhecido, com suas unhas retráteis,
Rasga impressões aparentemente conexas,
Pulsantes, analógicas, versáteis,
Desde o primeiro instante tornando-as
complexas
E eu cá, respondo:
Mas se lembrar de quê, se só há futuro?
As públicas lágrimas sem poder conter
Ainda novo o ouvido a esterrecer
Do invólucro a sair, buscando o furo
Antes ficasse lá e não nascer
sem luz, sem ar, mas em lugar seguro
ficar na mansidão, não estar maduro
um só ficar com a mãe, não vir a ser
Jaz a placenta, a paz e os tempos fáceis
Deu-se a alquímica fase, a mãe perplexa
Eu já nascido, enfuno, enganos dóceis
Vagas visões, a mente desconexa
Vibrante busca lógica nas faces
dos que ao ver já cobram toda a pressa.
Weverton.
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