CORDEL
DO IMPEACHMENT
O
golpe sempre existiu
Nos
corredores da História
E
muitos deles existem,
Se
não me falha a memória.
Os
golpes sempre antecedem
A
derrota ou a vitória.
Há
muitos tipos de golpe,
Podemos
enumerar.
O de
mestre é um deles
Para
quem sabe jogar
E há
o golpe de judô
Para
o outro derrubar.
Vejamos
então um deles
Que
há no meio esportista,
Que
dá certo ou dá errado
E
faz parte desta lista:
Ocorre
quando o goleiro
Arrisca
um golpe de vista.
Ainda
entre os esportes
Não
tem como e nem por que
Esquecermos
da destreza
Que
a gente sente e não vê,
Mas
percebe logo o estrago
De
um golpe de karatê.
Há
golpe numa refrega
Que
chamam golpe certeiro
E
atinge a qualquer um,
Seja
paulista ou mineiro,
Gaucho
ou catarinense,
Seja
qualquer brasileiro.
Na
guerra, se os oponentes,
Nos
embates da discórdia,
Não
cessam os seus combates
Pela
ausência de concórdia,
Quem
agoniza recebe
Golpe
de misericórdia.
E já
que falei em guerra,
Com
o Brasil não se meta
Quem
não quiser se arriscar
A um
golpe de baioneta
Do
soldado brasileiro
Que
é veloz como um cometa.
Ter
uma decepção
É um
golpe contundente
E o
de sorte pode ser
Algo
tão surpreendente,
Como
se a incredulidade
Tomasse
conta da gente.
Existe
também um golpe
Que
causa muito rebu.
Não
se trata, no entanto,
Do
golpe de kung fu,
Mas
de antiqüíssimo golpe
Que
é o golpe do baú.
Outro
golpe é o de audácia
E,
assim, dessa maneira,
Não
se pode desprezar
O
golpe de capoeira,
De
grande plasticidade
Nessa
luta brasileira.
Há
outros golpes que tiram
Quem
estiver no poder,
Como
o tal de golpe branco
Que
faz Governo tremer.
E um
golpe institucional
Também
pode acontecer.
No
Brasil, último golpe,
Com
presidente exilado
Foi
lá nos anos sessenta.
O
Congresso foi fechado
E os
tanques foram pras ruas
Com
prisões pra todo lado.
Pois
foi um golpe político
Que
cassou muitos mandatos
E
para o povo não dava
Satisfação
de seus atos.
Foi
amarga a ditadura,
Navio
cheio de ratos.
Quem
manda em nosso Brasil
Hoje,
é a Constituição
Que
prevê rito de impeachment
Pelo
sim ou pelo não,
Com
direito de defesa
Perante
a Lei e a Nação.
Mas
lembrando o infame Goebbels,
Ministro
alemão nazista,
Ouvimos
o tempo todo
O
discurso governista
Insistindo
ser um golpe
A
decisão congressista.
Repetindo
essa mentira
Pra
verdade se tornar,
Governistas
paus mandados
Tentaram
se rebelar,
Dizendo
tantas bobagens
Que
foi mesmo de lascar.
Alegando
sempre o golpe,
De
forma irracional
Tentaram
vender o peixe.
Mas
se deram muito mal
Pois
nenhum eco encontraram
No
meio internacional.
A
imprensa do Brasil
E
também a estrangeira,
Não
caíram na conversa
Porque
não é brincadeira
E é
preciso ter respeito
Pela
gente brasileira.
Houve
só três exceções,
Verdadeira
esparrela,
Vindas
da ilha de Cuba,
Bolívia
e Venezuela,
Países
cujos governos
Já
são defuntos sem vela.
Maduro
não é exemplo
Pra
qualquer democracia.
Do
povo venezuelano
Acabou
com a alegria
E
seu país transformou
Numa
completa anarquia.
Na
Bolivia, o Morales
É um
esplêndido colosso
De
má gestão de um país
Que
foi pro fundo do poço.
Como
é aqui, vai mostrando
Que
não quer largar o osso.
Raul
Castro lá em Cuba,
Sabemos
que é ditador.
Como
vai falar em golpe,
Se
não tem nenhum pudor
Em
mandar para a prisão
Quem
lhe é opositor?
Que
guardem as suas bocas
Para
comerem farinha.
O
Brasil é muito grande,
Não
precisa de Candinha.
Vão
cuidar de suas vidas,
Porque
eu cuido da minha.
Soluções
para o Brasil
Devem
ser apartidárias,
Pois
as crises no país
Já
passam de centenárias.
Mas
se os problemas são muitos
Soluções
também são várias.
Dá
pra ver que no poder,
Quem
entra não quer sair.
Faz
de tudo pra ficar,
Pra
lugar algum quer ir.
E ao
se colar na cadeira
Só sairá
se cair.
Até
mesmo em sindicato
E
qualquer outra entidade,
Quem
chega já pega o osso.
Jogando
fora a humildade.
Vai
se achando o melhor,
Mesmo
sem ter qualidade.
Todo
vício e arrogância
É da
natureza humana.
Por
isso é que no Brasil,
Ao
falar mal uns dos outros,
Os
brasileiros de agora
Vivem
essa briga insana.
Confesso
ser otimista
Neste
momento febril,
Porque
sei que o meu país
Não
terá guerra civil.
Eu
não creio na política,
Mas
eu creio no Brasil.
Embora conteste o mérito, não posso negar a extrema beleza da sutil e inteligente manipulação das palavras.
ResponderExcluirParabéns, Nhô Danilo.