I
Peço licença a vocês
sua atenção por favor
seu silêncio e calmaria
pra contar como se fez
com muita luta e amor
a história que aqui se inicia
esta história, meus amigos
que agora vou contar
garanto que é verdade
não tem lutas nem perigos
mas faz rir e faz chorar
a gente de toda idade
é uma história de verdade
que hoje faz cinquenta anos
tem começo e não tem fim
se espalhou por muitas cidades
fugiu da rota, dos planos
mas começou lá em Itaobim
quem lembra não tem saudade
Deus sabe o quando doeu
de quanto a vida era dura
muito ficou na vontade
tanta coisa se perdeu
pouco virou em fartura
um povo formado em pobreza
artistas do sobreviver
nascidos no Jequitinhonha
com pouca comida na mesa
sem festa, sem luxo ou prazer
mas na cara muita vergonha
ele saiu lá de Joaíma
pequena cidade mineira
quase esquina da Bahia
ela era ainda menina
pequena, bonita e faceira
mas da vida pouco sabia
pois deu que os dois se encontraram
quis Deus e os abençoou
e assim é que era pra ser
que logo então se casaram
a família começou
pra esta história acontecer
Montes Claros, outra vida
outro povo, outra cultura
outra saída, afinal
mas era louca a corrida
que entraram na aventura
de viver na capital
os dois eram gente honesta
e nunca deixaram de ser
muito cabrito e pouca corda
muito trabalho, pouca festa
pra dar aos onze o que comer
alguém aqui não concorda?
a justiça é que atesta
pra todo que queira saber
que do meio desta horda
não saiu um que não presta
quem vai me contradizer?
não nasceu nenhum calhorda.
II
Pois então é isso, gente
bons pais criaram bons filhos
e mesmo que algum de repente
descuidou, saiu dos trilhos
a mãe orou pela gente
pai puxou pelos fundilhos
teve cuidado e palmada
até com força demais
mas a moral foi formada
em cada moça e rapaz
e assim a meninada
se tornou gente de paz
todos são trabalhadores
ninguém vai poder negar
cada um com suas dores
mas nenhum sem se cuidar
esses seus onze amores
não colhem o que outro plantar
podemos sofrer horrores
mas nunca vamos roubar
então se orgulhem queridos
sua missão foi cumprida
seus filhos estão criados
mergulhados nos perigos
eis que estão todos com vida
e uns até bem colocados...
O mais velho sorri triste
até faz cara de sério
mas é pura zombaria
no fundo é muito feliz
de sonhar jamais desiste
largou até o presbitério
mas não reclama um só dia
isso ele mesmo é quem diz
Depois dele vem Gizele
pura energia do céu
que Deus trouxe a esta vida
emoção à flor da pele
mais doce que ela só o mel
sempre está de bem com a vida
Elis vem logo depois
com seu jeito enigma puro
natureba, sabe tudo
completando os outros dois
clareia esse mundo escuro
dos males é nosso escudo
O Marcinho pequenino
que já foi da pá virada
tomou jeito, entrou na linha
deu a volta no destino
tá com a família criada
virou dono de cozinha
Luciana jóia rara
transpira fragilidade
se olhar pra ela, ela chora
mas resiste e nunca para
é só doçura e bondade
o amor em seu peito mora
A Renata é outro doce
professora de criança
de prata é seu coração
nunca fez mal a quem fosse
tudo o que procura, alcança
dá prazer ser seu irmão
Fabiano não sossega
o mais inquieto dos onze
não se encaixa, é um estouro
mas quem o conhece não nega
sua alma é puro bronze
seu coração é de ouro
Anderson não tem juízo
tá longe, logo tá perto
mas também não atrapalha
sempre vem quando é preciso
tranquilão, mas muito esperto
tá sempre pronto, não falha
Isabella, outra figura
que esperteza, que guerreira!
A vida desafiando...
se a tristeza se afigura
ela apronta a quebradeira
e todos saem ganhando
Wilson é um ser sem igual
todos hão de concordar
esse não tem precedência
não sabe o que é fazer mal
sempre está pronto a ajudar
é o rei da paciência.
Fernanda a caçulinha
cheia de luz e energia
nos passos da mãe foi criada
sempre foi meio doidinha
nos enchendo de alegria
vende tudo essa danada.
III
Quase todos se casaram
uns até mais de uma vez
e somando os que se agregaram
a prole grande se fêz.
Geraldinho, Alex, Cristina
são quase irmãos meus cunhados
não se acha em toda esquina
falando muito, ou calados.
Andinho, Jaques, Rose e Rute
o Junior veio depois
nota dez, ninguém discute
cada um vale por dois.
Outros entraram e saíram
mas, pra não causar ciúme
nem alimentar contenda
digo só que contribuíram
espalharam seu perfume
e seguiram sua senda.
IV
O clã agora é bem forte
inspira sobriedade
segue em frente cada dia
guiado por boa sorte
vivendo em fraternidade
sempre em boa companhia
Vinte netos já se contam
meninas de muita beleza
que dão orgulho à família
uns quietos, outros aprontam
meninos de muita esperteza
não caem em armadilha
Tios, primos, muitos temos
espalhados pelo mundo
dando vida ao nosso nome
mesmo aqueles que não vemos
amamos bem lá no fundo
livre-os Deus, de frio e fome.
Tem amigos tão chegados
como o nosso Geraldão
mais chegado que um vizinho
é mesmo considerado
lembrado com tal carinho
mais parece ser irmão.
Inimigos nós não temos
e que sempre seja assim
aprendemos ser da luz
uns aos outros defendemos
meu irmão cuida de mim
como ensina o bom Jesus
O velho Alonso hoje é manso
já cansou de correria
é tranquilo que só vendo
mas Zelda não tem descanso
seja de noite ou de dia
tá rezando ou tá vendendo
V
Vou terminando essa história
que na verdade é sem fim
e da qual me orgulha pertencer
pois nestes dias de glória
com tanto bem sobre mim
não há família melhor pra ter.
Pais queridos, raiz nossa
e que em nós ainda agem
que ainda nos fazem crescer
embora pareça troça
recebam nossa homenagem
foi o que deu pra fazer
E vocês que só quiseram
como todo mundo quer
ter na vida algum prazer
olhem tudo o que fizeram
se colocando de pé
só pra lhes agradecer
Pois recebam nossas palmas
e que ouça o mundo inteiro
que nós amamos vocês
do fundo de nossas almas
fique claro de uma vez
que isso é puro e verdadeiro
Filhos, netos, genros, noras
juntos em uma só voz
parentes e amigos também
vos abençoam agora
e que Deus se junte a nós
lá do céu nos diga amém.
Espaço para divulgação dos escritores Danilo dos Santos Pereira (Nhô Danilo) e Weverton Duarte Araújo
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
ReVolta
Volto a ti, de onde nunca saí
desisti de tentar ser solteiro
vou viver com sensatez e arte
me declaro inteiramente em festa
Volto a mim, de onde me perdi
pois aqui existo por inteiro
volto a ser, a ter, a fazer parte
ver ao claro, sem o que me impeça
Volto à vida que jamais vivi
tento por um grito derradeiro
já que vida mesmo é amar-te
isso é tudo que meu ser atesta
Volto à morte, pois morro por ti
para o resto sou como estrangeiro
e também pra ti por não tocar-te
e não há medida que isso meça
Volto ao tudo, ao nada, volto aqui
a lugar nenhum, ao mundo inteiro
pra dizer-te, nunca me encantaste
na verdade é bom que te despeças
Volta então, perdoa o tolo em mim
este louco é como um cão mateiro
que maldiz o que de mim te afaste
e não disse uma bobagem dessa
Volta ao começo, pois é dado o fim
não importa mais ser caminheiro
e não há caminho que me baste
acabou-se, isso é o que interessa.
desisti de tentar ser solteiro
vou viver com sensatez e arte
me declaro inteiramente em festa
Volto a mim, de onde me perdi
pois aqui existo por inteiro
volto a ser, a ter, a fazer parte
ver ao claro, sem o que me impeça
Volto à vida que jamais vivi
tento por um grito derradeiro
já que vida mesmo é amar-te
isso é tudo que meu ser atesta
Volto à morte, pois morro por ti
para o resto sou como estrangeiro
e também pra ti por não tocar-te
e não há medida que isso meça
Volto ao tudo, ao nada, volto aqui
a lugar nenhum, ao mundo inteiro
pra dizer-te, nunca me encantaste
na verdade é bom que te despeças
Volta então, perdoa o tolo em mim
este louco é como um cão mateiro
que maldiz o que de mim te afaste
e não disse uma bobagem dessa
Volta ao começo, pois é dado o fim
não importa mais ser caminheiro
e não há caminho que me baste
acabou-se, isso é o que interessa.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
O dia todo
Te vi de manhã
lavei a alma
e aí me revi
sua imagem vã
sorvi com calma
e aí me perdi
Na tarde tornei
a ter esse encontro
que tanto me apraz
e me deleitei
sem mesmo estar pronto
mas me enchi de paz
Noite adentro continua
minha alegria constante
que em pouca gente se vê
meu corpo tal que flutua
como o sol energizante
que só se encontra em você
Volta de novo amanhã
me faz sentir como um rei
como que o dono da rua
hoje tão bem me senti
como sentira jamais
assim é que deve ser.
lavei a alma
e aí me revi
sua imagem vã
sorvi com calma
e aí me perdi
Na tarde tornei
a ter esse encontro
que tanto me apraz
e me deleitei
sem mesmo estar pronto
mas me enchi de paz
Noite adentro continua
minha alegria constante
que em pouca gente se vê
meu corpo tal que flutua
como o sol energizante
que só se encontra em você
Volta de novo amanhã
me faz sentir como um rei
como que o dono da rua
hoje tão bem me senti
como sentira jamais
assim é que deve ser.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Bilhetinho de advertência
Você que não quer morrer
que não quer ver o inferno
quer parecer o não ser
sem padecer, ser eterno
Pois saiba, estou esperando
a ver passar os seus dias
até que me chegue a hora
de lhe buscar, rindo ou chorando
lhe tocar com minhas mãos frias
tirar sua vida boca afora
e nem seu grito será ouvido
é meu direito, assim eu quis
seu tempo, uma vez cumprido
lhe arranco o ar do nariz
a vida é minha, meu caro
eu dou, eu tiro, é assim
eu lhe adoeço, só eu saro
são meus o começo e o fim.
que não quer ver o inferno
quer parecer o não ser
sem padecer, ser eterno
Pois saiba, estou esperando
a ver passar os seus dias
até que me chegue a hora
de lhe buscar, rindo ou chorando
lhe tocar com minhas mãos frias
tirar sua vida boca afora
e nem seu grito será ouvido
é meu direito, assim eu quis
seu tempo, uma vez cumprido
lhe arranco o ar do nariz
a vida é minha, meu caro
eu dou, eu tiro, é assim
eu lhe adoeço, só eu saro
são meus o começo e o fim.
sábado, 17 de agosto de 2013
Bom mesmo é ser criança
Bom mesmo é ser criança
sem vergonha de chorar
sem pensar no que que dizer
nem ter hora pra sorrir
Bom é só ter na lembrança
a vontade de brincar
de gritar e de correr
ter lugares aonde ir
Tão bom não temer mudança
graça em tudo encontrar
desbravar e conhecer
caminhos novos abrir
E a gente nem se cansa
quer de novo começar
ver o dia amanhecer
e ver a noite a cair
roupa suja, cachos, trança
pouco tempo pra estudar
tanta coisa a aprender
quanta vida a descobrir
gente grande é outra dança
pra tudo tem que pagar
nem tudo pode comer
nem tempo tem pra me ouvir.
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