QUATRO POEMAS DE VÔ
Danilo dos Santos Pereira (Nhô Danilo Pereira)UM OLHAR APENAS
Para Mariana, Ana Rosa e Clara
O olhar de meu avô
Quiçá tenha sido
O olhar que agora tenho
Quando miro
Olhos miúdos que me fitam.
A ternura enxágua-me cada íris
E é reconfortante pensar
Que talvez assim fosse com meu avô
Quando o nosso olhar
Se encontrava.
CANTIGAS DE MARIANINHA
I
Mariana! Mariana!
Eu sou tua sentinela
A voz que sempre te chama
Neste peito que revela
Um coração que te ama.
II
É tão grande
O amor que eu tenho pra lhe dar
E também o amor que tenho a receber...
Vou cantando esta cantiga de ninar
Só pra ver você, feliz, adormecer.
Mariana! Mariana!
Nosso amor é uma chama
E a cantiga de ninar
Que agora eu canto,
Transformada está
Em meu próprio acalanto.
ANA ROSA
Rosa dos Ventos venturosa
Captora de direções dos rasos rumos
E dos pélagos profundos.
Ana se precipita
Em um mundo pequenino
Que é pertença
De gente pequena como ela.
Rosa é puro enleio
Nesse moreno desabrochar
De quem será mulher brasileira
Resplandecente como a luz das estrelas.
Ana Rosa
É flor revestida
Do amor dadivoso
Contrito e operoso
De circunstantes sedentos de seu redor.
CLARA
CLARA/Clarinha
Galáxia inominada
Clareira enluarada
CLARA/Clarinha
Vela de aceso pavio
Aquecendo-me no frio
Meu coração deu um grito
De júbilo em sua chegada,
Ofuscando no infinito
Cada estrela iluminada.
CLARA/Clarinha
Lâmpada de clarear
Farol para me guiar
CLARA/Clarinha
Uma luz nos olhos meus
Que me aproxima de Deus.
GABRIEL
Não apenas nascido e sim enviado
Por Deus de seu castelo estelar,
Que decidiu a todos contemplar
Com este ser de amor vivificado.
Nascendo impregnado desse amor
Tão profundo que logo se propaga,
Já mostra seu destino nesta saga
De terrena missão, voz e clamor.
Aí está o esperado, enfim chegou:
Gabriel é o seu nome desde então
Com o qual a sua mãe lhe consagrou.
Em pastoreio de nuvem e canção
O xará do Gabriel anunciou:
Em todo o Céu , trombetas soando estão.