quarta-feira, 30 de abril de 2014

QUATRO POEMAS DE VÔ
                                                   Danilo dos Santos Pereira (Nhô Danilo Pereira)

UM OLHAR APENAS 
                                               Para Mariana, Ana Rosa e Clara

O olhar de meu avô
Quiçá tenha sido
O olhar que agora tenho
Quando miro
Olhos miúdos que me fitam.

A ternura enxágua-me cada íris
E é reconfortante pensar
Que talvez assim fosse com meu avô
Quando o nosso olhar
Se encontrava.
                               

CANTIGAS DE MARIANINHA

I

Mariana! Mariana!
Eu sou tua sentinela
A voz que sempre te chama
Neste peito que revela
Um coração que te ama.


II

É tão grande
O amor que eu tenho pra lhe dar
E também o amor que tenho a receber...
Vou cantando esta cantiga de ninar
Só pra ver você, feliz, adormecer.

Mariana! Mariana!

Nosso amor é uma chama
E a cantiga de ninar
Que agora eu canto,
Transformada está
Em meu próprio acalanto.



ANA ROSA

  Ana Rosa
Rosa dos Ventos venturosa
Captora de direções dos rasos rumos
E dos pélagos profundos.

Ana se precipita
Em um mundo pequenino
Que é pertença
De gente pequena como ela.

Rosa é puro enleio
Nesse moreno desabrochar
De quem será mulher brasileira
Resplandecente como a luz das estrelas.

Ana Rosa
É flor revestida
Do amor dadivoso
Contrito e operoso
De circunstantes sedentos de seu redor.



CLARA

CLARA/Clarinha
Galáxia inominada
Clareira enluarada

CLARA/Clarinha
Vela de aceso pavio
Aquecendo-me no frio

Meu coração deu um grito
De júbilo em sua chegada,
Ofuscando no infinito
Cada estrela iluminada.

CLARA/Clarinha
Lâmpada de clarear
Farol para me guiar

CLARA/Clarinha
Uma luz nos olhos meus
Que me aproxima de Deus.



GABRIEL

Não apenas nascido e sim enviado
Por Deus de seu castelo estelar,
Que decidiu a todos contemplar
Com este ser de amor vivificado.

Nascendo impregnado desse amor
Tão profundo que logo se propaga,
Já mostra seu destino nesta saga
De terrena missão, voz e clamor.

Aí está o esperado, enfim chegou:
Gabriel é o seu nome desde então
Com o qual a sua mãe lhe consagrou.

Em pastoreio de nuvem e canção
O xará do Gabriel anunciou:
Em todo o Céu , trombetas soando estão.
A BICICLETA
                                Danilo dos Santos Pereira
                                                                         “No dia em que amei Elizabeth,
                                                                          Eu tinha 14 anos
                                                                          E Caí da bicicleta”
                                                                            (Osias Ribeiro Neves)

A bicicleta
Impunha-me
O pedalar constante
Nas artimanhas
Do ir e vir.
Minhas pernas
Eram poderosas
Com seus músculos de menino,
Não como essas de agora
Trôpegas
Artríticas
Sem força de passada.

Assim
Eu de outrora
Tangia o movimento.

Assim
Eu de agora
Ando bem devagar...


Já não pedalo mais!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

CHAME O MINISTÉRIO PÚBLICO - Cordel de Nhô Danilo Pereira

CHAME O MINISTÉRIO PÚBLICO

- Cordel de Nhô Danilo Pereira -


(Jornal “O Estado de Minas”, de Belo Horizonte/MG, em uma de suas edições, estampou em primeira página a seguinte manchete: “Ministério Público vai acabar com a pichação em Belo Horizonte”)



Chame o Ministério Público
É conselho do jornal
Jornal “Estado de Minas”
Que a gente sabe, afinal
Que vive espalhando a idéia
De que isso é panacéia
Para todo e qualquer  mal.

Chame o Ministério Público
Se o seu muro for pichado
Nada vai acontecer
Você vai ficar irado
E o pichador vai gostar
De você vai galhofar
Mas não passa de um coitado.



Chame o Ministério Público
Para o jornal ele iria
Só falar da pichação
Trazendo muita alegria
Pra quem foi prejudicado
E assim ficar enganado
Achando que valeria.

Chame o Ministério público
Tá lá no “Estado de Minas”
Em manchete do jornal
E nas letras pequeninas
Com algum estardalhaço
Fazendo-nos de palhaços
Ferindo nossas retinas.

Chame o Ministério Público
Mas não irá resolver
Pois somente pro jornal
É que vai acontecer
Pro jornal ele pode tudo
Na forma e no conteúdo
Mas ninguém paga pra ver.


Chame o Ministério Público
Disse o sempre parcial
Inventor de noticiário
E nunca se sabe qual
É a verdade por trás disso
Qual seria o compromisso
O que tem de intencional.

Chame o Ministério Público
Pois chame mesmo pra ver
Que tudo será como dantes
Para nada acontecer
Tudo fica como está
E pra sempre ficará
Serve apenas pra inglês ver.

Chame o Ministério Público
Chame logo e que se dane
Se seu muro foi pichado
Que o cheiro de tinta emane
Deste jornal sectário
No seu nariz de otário
Querem que você se engane.


Chame o Ministério Público
Chame mesmo quero ver
Se você crê em duende
Em tartaruga a correr
Talvez em papai Noel
Abelha que não faz mel
Em cego que pode ver.

Chame o Ministério Público
Que constitucionalmente
Salário de marajá
Recebe solenemente
E se tornou, podes crer
Da Nação quarto poder
Para si principalmente.

Chame o Ministério Público
Que medidas vai tomar?
Vai prender o pichador
Para na prisão ficar
E a dantesca pichação
Na parece ou no portão
Pra sempre se acabar?

Chame o Ministério Público
Pra nada se resolver
Num grande jogo de cena
Basta esperar para ver
Tudo ficar como dantes
Num grande quartel de Abrantes
Para nada acontecer.

Chame o Ministério Público
Meu senhor, minha senhora
Ele gosta de holofotes
Nada vai fazer agora
Pois afinal a demora
É sua especialidade
Infrator fica à vontade
E a pichação só vigora.

Chame o Ministério Público
Mas chame o jornal também
Jornal “Estado de Minas”
O convênio que ele tem
Ninguém pode imaginar
Pois não dá pra adivinhar
Porque tanto lhe convém.


Chame o Ministério Público
Que é da nossa lei fiscal
E é claro, tem importância
Inclusive pro jornal
Que demonstra submissão
E o senhor do sim, do não,
Sempre põe num pedestal.

Chame o Ministério Público
Que a tudo diz resolver
Pra proteger a nação.
Mas como é que pode ser
Corrupção adoidado
Pichador pra todo lado
Miséria a nos corroer?

Chame o Ministério Público
A cada muro pichado
Quem vende tinta agradece
Faturamento dobrado
Tantos pincéis e sprays
Reverência aos novos reis
De um país tão enganado.


Chame o Ministério Público
Não vai mesmo adiantar
Mas o jornal publicou
E foi pra desinformar
Então vemos todo dia
Pichador com alegria
O nosso muro pichar.

Chame o Ministério Público
E chame sem vacilar
O engenheiro de obras prontas
Que vai somente falar
Que faz isso e faz aquilo
Que pode ficar tranqüilo
Medida não vai faltar.

Chame o Ministério Público
Pra que possa investigar
O que a Receita ou Polícia
Acabou de desvendar
Com mídia é sensacional
Chame logo o tal jornal
Parceiro pra publicar.

Chame o Ministério Público
Não é preciso esperar
Porque afinal de contas
Não importa o que vai dar
E tamanha enganação
De norte a sul da nação
Um dia vai terminar.

Chame o Ministério Público
Ele também vai chamar
O tal jornal lambe botas
Pra poder noticiar
Mostrando a torto e a direito
O que jamais será feito
Nem sairá do lugar.




Glosa de Nhô Danilo Pereira 
em estrofes de poema do livro “CIDADE MULHER”, 
de Weverton Duarte Araújo.



CONTEMPLO A ESCURIDÃO
E EM MEIO À OBSCURIDADE
VEJO À LUZ DO LAMPIÃO
O TEMPLO, A CRUZ, A CIDADE.

(Do poema Outra Visão)

GLOSA

Qual derradeira viagem
Com o bilhete na mão,
Mesmo com tanta paisagem
CONTEMPLO A ESCURIDÃO.

A vida, assim me conduz
Na mentira e na verdade,
Em torno de muita luz
E EM MEIO À OBSCURIDADE.

O amor que, em meio às dores,
Se esconde na escuridão
Com olhos perscrutadores,
VEJO À LUZ DO LAMPIÃO.

Tudo fica benfazejo
Quando persiste a bondade.
Onde a vista alcança, eu vejo
O TEMPLO, A CRUZ, A CIDADE.
Glosa de Nhô Danilo Pereira 
em estrofes de poema do livro “CIDADE MULHER”, 
de Weverton Duarte Araújo.


O PESO DA PENA QUE PAGO
NÃO PODE UM LEIGO MEDIR.
MINHA CRUZ PORÉM NÃO LARGO
POR NÃO SABER AONDE IR.
 (Do poema Querido Castigo )


GLOSA

Das dores que tem no mundo,
Algumas delas eu trago
Sabendo, em choro profundo,
O PESO DA PENA QUE PAGO.

E assim vou levando a vida,
Dia a dia a refletir
Que a dor de cada ferida
NÃO PODE UM LEIGO MEDIR.

Cada qual tem seu quinhão,
Cada qual tem seu encargo.
Às vezes perco a razão,
MINHA CRUZ POREM NÃO LARGO.

Um Norte então eu procuro,
Para poder prosseguir.
Na mão de Deus eu seguro,
POR NÃO SABER AONDE IR.